terça-feira, 16 de março de 2010
Ares das Mercês
sexta-feira, 5 de março de 2010
É noite ainda
sábado, 23 de janeiro de 2010
Seculário
Ressaltado pelo silêncio, ecoa
Por entre frestas
Ressoa grave em cada vão
- imensidões desabitadas -
Atrás das portas
Há ferrugem nas trancas
E a memória, adormecida, em suspensão
A pesar os ares, feito pó,
É matéria secular de desalento
A embaçar as janelas - olhos fundos –
O tempo corrói o assoalho
Em meu peito, casa vazia
A ruir
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Vã
Apenas por sê-la
Erguida em hastes de sol
Acima dos corpos
E vem em vão
(desmantelada)
E vai e finda
Dentro do oco
Dentro do vão
Dentro do nada.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Mãe negra
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Ordem
Vencer a inação. Frutificar.
Morrer dentro de si. Atropelar o caos.
Regenerar. Em flor, em verso, em vida.
Encabrestar a dor. Vaticinar a sorte.
Em lida, em trilha, em cor.
Silenciar a morte.
Serenizar.
Oásis
“E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.“ (Vinícius de Moraes, Ausência)
E assim, no silêncio habitual de longas datas, corações suspiraram aliviados. Era o primeiro poente que dividiam após séculos de afastamento - um imenso deserto houvera brotado entre as duas vidas. E ali, exatamente num encontro acidental de olhares dispersos, fez-se lar... e mar e céu e tudo mais que rutila aos olhos sedentos de quem vive. Terna comunhão de almas poentes e sóbrias ante dor e riso, solidão e pertencimento, luz e escuridão. E mesmo o deserto, em sua frieza noturna e alheia, fez-se abrigo. Amar é estar em casa.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Acalento
domingo, 19 de julho de 2009
Cinza
Já não há mais
Querer
Perdeu-se no ar
Sequer restou
Penar
Ou sonho
Ou memória
Outro amor perece
Sob a sombra renitente
Do porvir
E a vida segue
Solitária
Imponderável
Sequer pergunta se há desejo
Indiferente
Nesta tarde nebulosa
Sob os céus
Nem luz, nem escuridão
A vida é cinza.
